
(Foto: Divulgação)
O cinema brasileiro viveu um momento histórico na noite deste domingo (2/3), quando "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles, conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional. A produção, baseada no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, marcou a primeira vitória oficial do Brasil nesta categoria, que premia longas-metragens produzidos fora dos Estados Unidos.
Em seu discurso emocionante, Salles dedicou a estatueta à protagonista da história real que inspirou o filme: Eunice Paiva, viúva do ex-deputado Rubens Paiva, sequestrado e morto durante a ditadura militar no Brasil. "Esse filme vai para uma mulher que, após uma perda enorme por um regime autoritário, decidiu não se render: Eunice Paiva", declarou o diretor, que também homenageou as atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, que interpretam Eunice em diferentes fases da vida.
A conquista de "Ainda Estou Aqui" coroa uma trajetória internacional de sucesso. Antes do Oscar, o longa já havia sido premiado no Globo de Ouro, Festival de Veneza, Festival Internacional de Roterdã e no Goya. A crítica internacional elogiou a obra por sua força narrativa e pelo impacto emocional da história, e nos EUA, o filme chegou a ser exibido em mais de 700 salas de cinema.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou o feito nas redes sociais, destacando a importância do reconhecimento do cinema brasileiro e a relevância da obra na luta pela democracia. "Hoje é o dia de sentir ainda mais orgulho de ser brasileiro. Orgulho do nosso cinema, dos nossos artistas e, principalmente, orgulho da nossa democracia", escreveu.
Além da vitória na categoria internacional, Fernanda Torres foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação intensa de Eunice Paiva, mas a estatueta ficou com Mikey Madison, protagonista do filme "Anora", que levou o prêmio principal da noite.
Com uma narrativa emocionante e repleta de significado, "Ainda Estou Aqui" não apenas resgata a memória de um dos períodos mais sombrios da história do Brasil, como também reafirma a resistência como um ato de coragem. Para Walter Salles, a recepção do filme demonstra a relevância do tema: "Eunice Paiva não se deixou vitimizar. Enfrentou um regime autoritário acreditando nas instituições, arquitetou formas de resistência únicas. Sorriu quando lhe pediram para chorar. Escolheu a vida."
A conquista do Oscar coloca "Ainda Estou Aqui" no panteão do cinema mundial e marca uma nova era para a produção cinematográfica brasileira.